Três pancadas de remo
em uma noite escura  

 Na canoa, Jorge esperava impacientemente. A brisa fria da madrugada açoitava seu rosto. Os olhos miravam na direção em que deveria surgir o vulto e o corpo de Ana, sua amada. Porém, nada. Nenhum sinal dela. Dá uma última e triste pancada. Era a derradeira. Sentia-se abandonado e invadido por profunda tristeza. “Como podia ela desistir”, pensava. “Que paixão era essa que se apagava tão facilmente?” Mesmo assim, como era muito escuro e havia ainda tempo, esperou mais meia hora. Eram precisos não amais do que dez minutos para fazer esse percurso. Tudo em vão. E parte só e desapontado, em sua canoa, para o outro lado do rio.

Trecho extraído do conto Três pancada de remo em uma noite escura. Pedro em sua canoa no meio do rio de Contas

Leia também:

A fraqueza de Glória

 

Regressantes