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As Curvas do Rio Do autor José Cândido de Carvalho Filho |
A gora vejamos esse quadro lindo que a natureza nos oferece, afirmou, virando-se para o Cachoeira que corria tranqüilo sobre o seu leito de pedras, ao lado da casa, para depois precipitar-se num declive borbulhante em ondas que se partiam contra os bicos de pedras. A seguir, insistiu: - Vejam as duas curvas em forma de esse que se formam até desaparecer dos nossos olhos entre suas margens verdejantes como que à procura das matas. Pois bem, observem a comparação. Aqui na frente, o leito está calmo como se fosse uma pessoa, um cacauicultor, por exemplo, em paz de espírito, acomodado com a sua produção e sem débitos. Esse lindo quadro pintado pela natureza lembra-me uma passagem do evangelho de São Lucas, cujo capítulo não recordo, mas que alude ao Mestre, advertindo as multidões sobre a cobiça: 'Olhai, guardai-vos de toda a cobiça, porque mesmo que um homem viva na abundância, a sua vida não depende de seus bens'. É isso aí, se houver cobiça, avidez desmedida para conseguir, o homem pode sacrificar sua tranqüilidade de vida, assim como a água do rio que perde sua placidez na precipitação das cachoeiras. É quando a água se contorce com as pancadas nas pedras do declive, à semelhança do sofrimento humano.”