Glossário de palavras e expressões
abistunta: acerto de preço aleatório, onde cada parte busca levar vantagem na média para o pagamento que oferece para vários tipos de mercadorias ou preços.
ajami: escrita usando caracteres árabes, utilizada pelos malês, africanos muçulmanos que se levantaram, na Bahia, em 25 de janeiro de 1835.
araçá-buranhén: um dos nomes dados a buranhém (Pradosia lactescens), árvore da família das sapotáceas. Na cultura pataxó, o chá da casca dá vitalidade, e tem natureza afrodisíaca.
avezar (avezando): acostumar.
baálé: chefe de clãs ou linhagens geralmente dedicadas a ofícios específicos ou chefe de linhagem simplesmente, para os malês.
bagunço: o miolo da jaca, ligado à haste que prende o fruto ao tronco, onde se fixam os bagos.
boca-pio: sacola de pano ou de esteira.
bongada: diz-se da água suja, misturada à lama, decorrente de pisoteio no leito do rio. Imprópria para beber por conta disso.
caboco mandureba: duro, bom em alguma coisa, disposto.
caiambá: variação de caimbá.
califon: porta-seios; sutien.
canga: esporte aquático, em lagoas e rios. Consiste no movimento de mergulho jogando para fora pés que batem na água fazendo estardalhaço. Luta entre dois mergulhadores, um buscando atingir o outro com os pés.
carote: denominação popular para corote, aférese de ancorote.
caruara: transpiração exagerada manifesta após ingestão de alimento, decorrente da debilidade orgânica extrema causada pela fome.
caseira: denominação popular de verminose que alimenta coceira na região anal.
catende: lagartixa.
cauaçus: jagunços sertanejos que, escorraçados pelos "rabudos", invadiram a região de Barra do Rio de Contas, Ilhéus e Itabuna para assaltar e roubar, atemorizando as populações no final da segunda década do século XX.
cavaco: fritura de massa de farinha de trigo e água, sem recheio, de formato desigual, salpicado de canela em pó e açúcar.
chopar: sangrar a rês, depois de fazê-la desmaiar com uma pancada com o olho do machado na cabeça.
chuva de cambueiro: também chamada "chuva de umbu", que permite boa floração do umbuzeiro
chuva de todos os santos: a que reforça a de umbu, no dia de "todos os Santos"
coarana: Cestrum laevigatum, da família da Solanaceae.
cobi: árvore da família da Caesalpiniaceae, de madeira que produz grossa casca com alta dose de tanino, utilizada em curtumes.
cordão: barbante.
ensimesmar-se (ensimesmou-se): fechar-se em si mesma.
envultar: desaparecimento à vista de todos, não identificação. Como o homem simples interiorano, em suas superstições, explica o que se faz misterioso, coisa de assombração, o que aparece e some.
espera do caminho de São Tiago: superstição de que a estrela cadente passando por cima do telhado é sinal de morte na casa.
falario: feira.
fazer da vida rama de maxixe: viver muito, espalhar a vivência.
gestuália: neologismo provinciano, raro; conjunto de gestos.
glostora: substantivação de uma antiga marca de óleo, brilhantina e fixador para os cabelos.
godó: prato da culinária da Chapada Diamantina, que utiliza banana verde
gongo: embuá.
grolão: farinha grossa, destinada especialmente à alimentação de porcos.
hasteando bandeira: em estado de ereção.
infieira: em sequência; enfileirado.
istrupiço: corruptela de estrupício
labiroso: nada recomendável, de hábitos ruins.
latomia: coisa de assombração; mal-assombrada; que reflete melancolia
legume: cigarro de fumo de rolo, na palha de milho.
livrar mordida de cágado: superstição sertaneja de que mordida de cágado somente a trovoada "dá jeito"; que só relaxa a dentada sob relâmpagos e trovões.
lutrido: saído, dado a entrar onde não chamado para fazer-se simpático, bonito, sensual. Entrão.
mais enfeitado que madrinha de tropa: diz-se no sertão de quem se veste exageradamente. Inspirado na "madrinha", a mula guia que ficava na dianteira das tropas, enfeitada de guizos, chocalhos e fitas coloridas.
malamba: prato da culinária da Chapada Diamantina, feito com banana verde e frango
mandu: encrenca; gente encrenqueira, que gosta de confusão, que assusta pelo que faz ou representa. Também, tipo dos antigos carnavais de rua.
manica: corruptela de manícula.
mão-de-súia: avarento, que não dá nada a ninguém, não abre a mão para nada.
marmota: exagero, mentira.
miquita: zanga, implicância, cara feia.
monroe: substantivação de marca de palito de dente, tipo português.
não chorar a morte da bezerra: não lamentar a perda.
o quase-nada: o comer; no sentido de comida pouca.
ouvido de teiú: audição aguçada; quem escuta, curioso, conversa alheia.
pantomia: pantomima, reação de quem fala com exagero de gestos de coisa mal-assombrada.
partido: mutirão.
pau de lenha: acha.
pirito: sadio, que está bom de saúde.São pirito, sadio como nunca
placas: candeeiros. Provável que tenha se originado dos que apresentavam uma folha de flandres, que ficava ao lado do tubo, refletindo a luminosidade.
pongar na cacunda do tempo: viver.
prato: medida de volume, usada em comércio e feiras livres nordestinas, para cereais. Consiste num quadrado de madeira cúbico correspondendo, conforme a dimensão, a 1, 2 ou 5 litros.
promessas: como denominadas as representações, moldadas comumente em madeira, de forma artesanal, de parte do corpo humano (braço, perna, mão etc.), curada de doença graças à "promessa" feita, e depositada na igreja do santo milagreiro, para testemunho.
puaias: de poaia, da família das polygalaceae, planta forrageira com grandes propriedades medicinais, segundo a tradição cabocla.
quebradinha: beiju de mandioca quebrado, conhecido também como farinha de goma.
rabudo: denominação da gente do Coronel Marcionilo de Souza; jagunço por ele comandado.
rei: corruptela de relho; chibata. Cair do rei: apanhar.
relancin: corruptela de relancinho.
renca: muitos, pequena multidão.
rodoro: substantivação de antiga marca de lança-perfume, em embalagem de metal amarelo.
roló: meia bota de couro, trabalhada artesanalmente.
rua da amargura: prostituição; local onde, em avenidas ou ruas, se pratica a prostituição.
sabença: sabedoria, cultura.
sarapantosa: assombração, mal-assombrada.
sempre-verde: capim nativo de excelente qualidade nutricional.
suruco: pipa, papagaio.
tariqa: irmandade ou confraria, entre os malês.
temor italiano: metáfora da máfia italiana; medo.
tifu: corruptela de tifúti.
tifúti: negro, depreciativo da raça negra; utilizado em dimensão racista.
tileiro: pequeno divisória no curral, geralmente coberta e destinada aos bezerros recém-nascidos.
tomar cachaça comendo pão de sal: disfarçar o hálito, "enganar o bafo".
torrar nos cobres: vender, desperdiçar.
travesseiro não salgou: não chorou.
troncada: diz-se da rês amarrada ao tronco para o abate.
tueira: a corda grossa da terceira, na viola de dez cordas.
turner: substantivação para microfone. Marca de um existente à época.
usar o busico: coito anal.
ver o sete estrelo no maio: superstição; certeza de morte para quem o vir.
vida mandureba: vida dura.
viola em cacos: situação difícil, sem saída, sem jeito.
voal: tecido fino, transparente.
xara: como denominado, pelos profissionais do abate, o instrumento de ferro, ou aço, utilizado para amolar peixeiras.