FAZENDO PARTE DA CONSTELAÇÃO VIA LITTERARUM

CADASTRO DE ASSOCIAÇÃO

Professor(a),

Por que investir na literatura regional?

Neste início de século, observamos – às vezes, com perplexidade, – a mundialização econômica deliberando gradativamente o que deve ser consumido nos meios culturais. O bombardeio de informações, de produtos eletrônicos, a reelaboração dos conceitos são algumas das alterações decorrentes do processo da globalização. E é esta globalização que entra nas casas, no trabalho, na sala de aula e também nos livros...

Nos estabelecimentos de ensino, de forma especial, os livros vêm sendo utilizados já em outros contextos. Agora, ao lado de aparatos tecnológicos, como a Internet, eles assumem um renovado papel de auxílio à aquisição do conhecimento. Contudo, é preciso saber selecionar com critérios as indicações de leitura porque, no interior desta aldeia global, por momentos, a realidade mais próxima acaba sendo esquecida.

Hoje, o termo glocal, utilizado pelo filósofo Pierre Lévy, sintetiza o que se deve buscar: o conhecimento global incorporado no que está ao nosso redor, com o que acontece em nosso bairro, em nossa comunidade, em nossa região. Pensando nisso...

O que nosso aluno sabe da realidade local?

Quais são os escritores regionais que ele conhece?

Que oportunidades são dadas a ele para que interaja com a literatura da nossa terra?

Que investimento faz sua escola para incentivar a produção literária e preservar a memória e bibliografia grapiúnas?

Quando o aluno lê, tendo acesso a um cenário próximo, a uma linguagem que incorpora dialetos cotidianos e a personagens "reais"; a assimilação dos conteúdos fica bem mais interessante e proveitosa. Assim, haverá a reafirmação da identidade, mediante a identificação com o meio e a conseqüente construção do imaginário local.

Quando as leituras são de nossos escritores, sua escola contribui para a valorização destes e para o fortalecimento da cultura. O aluno, por sua vez, poderá ter contato direto com o texto através de visitações e diálogos no próprio ambiente de convívio. Ademais, estaremos, conjuntamente, consolidando a qualidade das letras grapiúnas e baianas.

Dê ao seu aluno a oportunidade de opinar, re-construir sua identidade e participar da nossa história. Fortaleça nossa responsabilidade enquanto educadores. Na próxima lista de livros da sua escola, avance no caminho das letras, incluindo nossas obras. Desta forma, sua escola estará na sintonia grapiúna, a sintonia que expressa nossa identidade e faz a riqueza do mundo.


Relato de Experiência entre a Ficção e o Pedagógico

Neste relato procuro apresentar experiência pedagógica realizada simultaneamente com alunos do 4° ciclo do Ensino Fundamental de dois colégios da Rede Pública, no ano letivo de 2004. A primeira foi realizada com alunos de 7ª e 8ª séries do vespertino no Colégio Municipal do Salobrinho, em Ilhéus; a segunda, realizada com alunos das 8ª séries do matutino no Colégio Estadual Amélia Amado, em Itabuna, durante as atividades de Língua Portuguesa referentes à leitura, produção e reescritura de textos.

Por que a utilização do texto ficcional como proposta pedagógica sofrera algumas restrições por parte de muitos Teóricos da Literatura e de alguns Cientistas da Linguagem? Isso se explica porque a maioria dos livros didáticos tem priorizado a obra literária apenas como pretexto para aulas e exercícios de gramática ou, ainda, em questões relativas à prática de leitura e interpretação de texto. Nesse caso, os textos de imprensa e de divulgação científica cumpririam melhor esse papel, até porque os autores de textos literários dão ênfase ao trabalho com a linguagem privilegiando o ´´como dizer´´ ou a máxima possibilidade de expressão artística da língua.

Acredito que sugestões pedagógicas preconizadas pelos PCN’s (Língua Portuguesa, 5ª a 8ª séries, 1998) têm contribuído para a utilização equilibrada de textos de imprensa e obras literárias em projetos de ensino-aprendizagem que não descaracterizem o papel do texto ficcional e que também contemple a literatura como um dos objetivos do ensino do português.

Apresentei minha proposta pedagógica para os alunos do Ensino Fundamental cujo projeto de aprendizagem seria construído por todos nós, partindo de problemas que envolviam o bairro ou a comunidade onde eles estavam inseridos ou ainda tendo como ponto de partida um tema de interesse de cada série. Procurei explicar para eles o que seria trabalhar por meio de projetos, e acrescentei que, trabalhar com "Pedagogia de Projetos" era uma escolha político-pedagógica minha porque acreditava ser essa metodologia a que mais atendia as habilidades e competências mínimas na formação e atuação produtiva de homens e mulheres no século XXI, segundo pesquisas educacionais realizadas mundialmente. Tais pesquisas enumeram sete grandes ações transformadoras, denominadas "códigos da modernidade", como: ´´domínio da leitura e da escrita; capacidade de fazer cálculos e resolver problemas; capacidade de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e soluções; capacidade de compreender e atuar em seu entorno social; receber criticamente os meios de comunicação; capacidade para localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada e a capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo´´ (José Bernardo Toro).

Visto o trabalho didático desse modo, propus aos alunos que construíssemos um Projeto de Aprendizagem cujo cronograma de atividades fosse realizado em grupos e que as ações desses grupos seriam destinadas à pesquisa e a busca de informações, convergindo desse modo, para a leitura, produção e reescritura de textos. Todos nós aprenderíamos a olhar e caminhar de outro jeito porque o eixo de tal proposta agora estaria direcionado para o domínio de competências e habilidades, estando o conteúdo como suporte e flexibilizado para referida construção. E aí poderíamos descolá-los de qualquer série ou unidade em função da composição de textos e domínio da linguagem. Elegemos então, o conto, enquanto gênero literário, por volta do segundo bimestre como modelo de produção. Fotocopiamos vários modelos de contos e também lemos o livro "Regressantes", de Agenor Gasparetto e os mini-contos do professor Odilon Pinto em "Coisas da Vida", pois a temática defendida por tais obras vinham ao encontro do tema escolhido por algumas séries. Lemos e estudamos a estrutura de várias narrativas dessa natureza, apresentando a estrutura clássica e aqueles que se distanciavam do modelo canônico. Sugeri, durante as aulas, que eles participassem de um concurso promovido pela "Editora Via Litterarum", e sob minha intervenção pedagógica, os textos deles seriam reescritos quantas vezes fossem necessário, tendo como destinatário um interlocutor real. Nessa relação de aluno-escritor ou compositor de textos, a reescritura como metodologia para aquisição da variante-padrão do português, possibilitou a aprendizagem consistente da gramática, pois nesse caso, a reescritura de texto estava a serviço de competências e habilidades inerentes à produção e natureza do texto, considerando-se ainda um certo público leitor. Nessa tarefa, chamei a atenção dos alunos para observarem alguns aspectos que os colocariam na condição de escritores, partindo de uma certa realidade ou acontecimentos vividos por eles sem, todavia, fazer uma cópia de fatos da vida deles ou de outrem. Fi-los entender que o instrumento de trabalho do escritor é a linguagem, e que essa nos possibilita mostrar ao leitor o que as personagens pensam, dizem e agem ao longo da narrativa. E que, no conto, isso poderia ser bastante explorado por meio do suspense e da posição narrativa escolhida pelo aluno-autor.

Constatei, durante esse trabalho, que os princípios defendidos pela Lingüística em seus vários campos de pesquisa, hoje referendados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, possibilitam-nos alternativas pedagógicas responsáveis pela formação de leitores críticos e com respectiva capacidade de auto-expressão. Verifiquei também que nossa proposta de ensino sempre partiu do imaginário coletivo da cultura oral e da realidade sócio-econômica em que se encontra a maioria da clientela da educação infanto-juvenil da escola pública brasileira. Eis uma amostra dessa produção realizada pelos alunos do Colégio Municipal do Salobrinho e do Colégio Estadual Amélia Amado.

**Genivaldo Guimarães dos Santos é professor de Português da Rede Pública de Ensino com
Pós Graduação, especialização, em Língua Portuguesa.

 

CADASTRO DE ASSOCIADO

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Nível de ensino de atuação: Pré-escolar   Fundamental   Médio   Superior e Pós-Graduação

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A Via Litterarum analisará sua proposta e lhe dará um retorno o mais breve possível.